Roberto Monteiro, conhecido como Roberto Batata, foi um grande atacante. Ele fez 110 gols com a camisa cruzeirense, que vestiu em 281 partidas de 1971 a 1976. Convocado para a Seleção Brasileira que disputou a Copa América de 1975, fez três gols em seis jogos.

Em 12 de maio de 1976, o Cruzeiro havia acabado de golear o Alianza Lima no Peru por 4 a 0, pela Libertadores, com um dos gols de Batata. No dia seguinte, assim que a delegação chegou de volta a Belo Horizonte e apesar do cansaço da longa viagem, ele resolveu dirigir até a cidade de Três Corações para buscar sua esposa e seu filho, então com 11 meses. No quilômetro 182 da Rodovia Fernão Dias, o atacante infelizmente bateu de frente com um caminhão e morreu na hora. O acidente abalou terrivelmente os jogadores do Cruzeiro e o mundo do futebol.

“O Batata foi um jogador excepcional. Titular do time. Nós fizemos um jogo no Peru e o Batata tinha um probleminha, que a gente chamava de doença do sono. Ele dormia conversando com a gente, em qualquer lugar. Nós viajamos a noite inteira, ficamos no aeroporto do Rio de 6 às 11 da manhã. Todo mundo morto de cansado. O Batata pegou o carro e foi pra Três Corações. O motorista do caminhão disse que desviou duas vezes e ele veio pra cima. O Palhinha pediu pra ele não viajar e todos ficamos muito preocupados. A notícia veio logo em seguida. Aquilo foi estarrecedor. Ficamos abalados, mas a gente tocou o barco pra gente. Tinha que ser dessa maneira, não dava pra mudar as coisas”, contou Raul Plassmann, um dos mais velhos do elenco na época.

Emoção e “a voz do sete”

Uma semana após sua morte, houve a segunda partida contra o Alianza Lima. Foi feita uma homenagem para Batata, com o trompetista da banda da Polícia Militar executando o “Toque do Silêncio” e pétalas de rosas jogadas no gramado. Além disso, a camisa número 7, que Batata costumava usar, foi colocada ao lado do banco de reservas do Cruzeiro para lembrar que o jogador estava, sim, alinhado para aquela partida.

“A gente estava em lágrimas porque poucas horas atrás o Batata estava com a gente e de repente não estava mais. Mesmo eu, como capitão do time, estava chorando. E os gols acontecendo e a gente chorando”, lembra Piazza, o capitão da equipe.

Piazza conta também que, quando já haviam feito 4 a 1 em cima do adversário, ao abraçar os colegas, ouviu uma voz dizendo para fazerem 7. Todos entenderam que seria uma homenagem ao colega e assim foi o placar: 7 a 1.

“Agora, eu confesso a você: se perguntar para um outro jogador, Palhinha, Jairzinho, Nelinho, talvez eles vão dizer: ‘Não, eu não sei de onde veio a voz. Eu não fui’. Não me recordo de quem era a voz, se era a minha própria voz ou não. Mas ainda vou questionar alguns companheiros que estavam ali. O fato é que houve esse chamamento para fazer o sete e o sete aconteceu. Foi uma situação bem especial pra uma pessoa muito especial”, finalizou Piazza.

O Cruzeiro conquistaria sua primeira Libertadores em 30 de julho de 1976. Após derrotar o River Plate no Mineirão e ser vencido em Buenos Aires, ganhou a terceira partida no campo neutro do Nacional de Santiago por 3 x 2. Assim, Roberto Batata foi campeão continental póstumo.

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