O universo da televisão brasileira amanheceu de luto neste sábado (20) com a notícia da morte de Robson Barros, um dos integrantes da formação original dos Paquitos, grupo que marcou uma geração ao lado de Xuxa Meneghel no Xou da Xuxa, da Globo. Ele tinha 58 anos.

A causa da morte não foi divulgada oficialmente pela família, embora pessoas próximas relatem que o ex-assistente de palco enfrentava um câncer há alguns anos.

Quem era Robson Barros

Robson morreu em São Paulo, onde vivia de forma discreta nos últimos anos. Casado e pai de três filhos, ele estava afastado dos holofotes havia décadas, mas permanecia lembrado pelos fãs da apresentadora e pelos admiradores do programa infantil que se tornou um dos maiores fenômenos da televisão brasileira nos anos 1980 e início dos anos 1990.

O velório será realizado no Cemitério Parque do Morumby, na Zona Sul da capital paulista. Nas redes sociais, amigos, familiares e antigos colegas de trabalho prestaram homenagens emocionadas. Um dos que se manifestaram foi Alexandre Canhoni, o Xand, que escreveu uma mensagem de despedida destacando a amizade construída durante os anos de convivência no programa.

Robson ganhou projeção nacional ao integrar o primeiro grupo de Paquitos, formado também por Alexandre Canhoni, Marcello Faustini, Cláudio Heinrich e Egon Júnior. Com figurinos inspirados em soldados de chumbo, os jovens acompanhavam Xuxa em coreografias, brincadeiras e quadros do programa, tornando-se ídolos de milhares de adolescentes.

O sucesso foi tão grande que os Paquitos extrapolaram a televisão. O grupo lançou discos, realizou turnês pelo Brasil e participou de grandes eventos. Entre os sucessos musicais estavam canções como “Paquidance” e “Muito Prazer”, que ajudaram a consolidar a popularidade dos assistentes de palco.

Entre 1989 e 1992, Robson participou de uma das fases mais vitoriosas do Xou da Xuxa. Também esteve ao lado de Sérgio Mallandro em atrações da Globo. Diferentemente de alguns colegas, porém, ele decidiu deixar a televisão ainda jovem. Foi o primeiro Paquito a sair do grupo, motivado pelo desejo de se casar e trabalhar ao lado do pai, Geraldo Barros, produtor musical que atuava com Roberto Carlos.

A decisão mudou completamente os rumos de sua vida. Após o fim da carreira artística, Robson construiu trajetória nos bastidores do entretenimento, atuando como produtor musical e empresário. Os negócios prosperaram e ele chegou a fundar uma empresa especializada em eventos. Mesmo distante das câmeras, continuou sendo lembrado pelos fãs da era de ouro dos programas infantis da Globo.

Por onde andam os Paquitos do Xou da Xuxa?

A morte de Robson reacende a curiosidade sobre os demais integrantes do grupo, que seguiram caminhos bastante diferentes após o fim dos Paquitos. Confira como eles estão:

Marcello Faustini (Celo)

Primeiro Paquito contratado para integrar o programa, Marcello Faustini era conhecido pela timidez e pelos olhos verdes que conquistavam as fãs. Durante os anos de fama, também ganhou destaque pelo namoro com Deborah Secco, que ainda estava no início da carreira.

Após deixar os programas de Xuxa e Sérgio Mallandro, decidiu investir seriamente na formação artística. Estudou atuação, participou da Oficina de Atores da Globo, cursou cinema e integrou o elenco de produções como Malhação.

Em meados dos anos 2000, após a morte da mãe, mudou-se para Boston, nos Estados Unidos. Lá passou a se dedicar principalmente à música, realizando apresentações e shows. Posteriormente retornou ao Brasil, onde retomou projetos artísticos. Atualmente segue trabalhando como ator e cantor, além de participar ocasionalmente de eventos ligados à memória dos programas de Xuxa.

Cláudio Heinrich (Claudinho)

Dono de um visual inspirado nos surfistas cariocas, Cláudio Heinrich foi quem alcançou maior sucesso como ator entre os ex-Paquitos.

Após deixar os palcos infantis, ingressou em Malhação e rapidamente conquistou espaço na dramaturgia da Globo. O grande auge veio em 2000, quando protagonizou a novela Uga Uga, interpretando o personagem Tatuapu, um dos maiores sucessos da emissora naquele período.

Além das novelas, participou de filmes, especiais e comandou o Globo Ecologia durante vários anos. Hoje, Cláudio leva uma vida mais tranquila ao lado da esposa, a produtora Claudia Colpo, e do filho Karl. Também trabalha como instrutor de artes marciais e surf, atividades que sempre fizeram parte de sua rotina.

Egon Júnior (Gigio)

O gaúcho Egon Júnior ficou conhecido pelo apelido Gigio, dado por Xuxa em referência ao personagem Topo Gigio. Considerado um dos mais inteligentes do grupo, tentou seguir carreira artística após deixar os Paquitos.

Participou da novela Despedida de Solteiro e chegou a sonhar com uma trajetória ligada ao teatro. No entanto, acabou encontrando seu espaço fora do entretenimento.

Formado em marketing, construiu carreira corporativa e passou a atuar em multinacionais. Atualmente vive na Bélgica ao lado da esposa, Fernanda, e dos filhos gêmeos, Manuela e Bernardo. Longe da fama, mantém uma rotina voltada ao mundo dos negócios.

Alexandre Canhoni (Xand)

Talvez o mais popular dos Paquitos, Alexandre Canhoni era o vocalista do grupo e fazia enorme sucesso entre as fãs por conta do visual loiro e do carisma diante das câmeras.

Depois do fim dos Paquitos, tentou permanecer na carreira artística, gravando discos e participando de peças teatrais. No entanto, não conseguiu repetir o sucesso alcançado na televisão.

No final dos anos 1990, viveu uma profunda transformação pessoal ao se converter ao evangelismo. A mudança foi tão radical que ele chegou a destruir objetos e lembranças da época de celebridade. Anos depois, encontrou uma nova missão de vida.

Hoje, Alexandre vive no Níger, na África, onde atua como missionário ao lado da esposa, Giovanna Canhoni. O casal dedica a vida a projetos sociais e já acolheu mais de 17 crianças, tornando-se referência em ações humanitárias na região.

Yuri Martins (Yu Catuxito)

Yuri Martins entrou para os Paquitos em 1991, substituindo justamente Robson Barros. Escolhido por meio de uma seleção aberta, rapidamente conquistou espaço graças ao carisma e ao talento para dançar.

Na época, muitos o comparavam ao cantor Beto Barbosa por causa de seu estilo nos palcos. Sua passagem pelo grupo coincidiu com os últimos anos da formação masculina dos assistentes de palco de Xuxa.

Depois de deixar a televisão, Yuri optou por uma vida mais discreta. Atualmente mora em Belém do Pará, onde atua como corretor de imóveis e também mantém atividades ligadas à música. Pai de três filhos e avô, continua participando ocasionalmente de eventos nostálgicos relacionados à história dos Paquitos.

Mais de três décadas após o auge do Xou da Xuxa, os antigos Paquitos seguiram caminhos bastante diferentes. Alguns permaneceram ligados à arte, outros migraram para o mundo corporativo, para a música ou para projetos sociais. A morte de Robson Barros encerra um capítulo importante dessa história e faz com que uma geração relembre um dos grupos mais populares da televisão brasileira nos anos 1980 e 1990.

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