Principal locutor esportivo da televisão brasileira, Galvão Bueno se despede da telinha no próximo dia 18 de dezembro. Após narrar a final da Copa do Mundo – que ele espera contar com a Seleção Brasileira em campo -, o profissional fecha um ciclo de 41 anos de TV Globo, emissora na qual teve a chance de “fazer tudo”.
Num tempo em que a Globo concentrava as transmissões das mais relevantes modalidades esportivas, Galvão era a voz que traduzia as imagens em emoções para o público da emissora. Quase um “showman”, o locutor, com seu estilo peculiar, conquistou fãs e desafetos com a mesma paixão.
Prestes a encerrar este ciclo, Galvão Bueno revelou, em entrevista à Folha de S. Paulo, que deixará a televisão. Mas isso não significa aposentadoria. O locutor avisou que passará a se aventurar pelo universo digital, lançando seu próprio canal.
“Difícil ter outro Galvão”
Em entrevista a Paulo Passos e Cristina Padiglione para a Folha de S. Paulo, Galvão falou sobre a proximidade do fim de seu contrato com a Globo. O locutor anunciou que a emissora deve preparar uma grande despedida para ele, com direito a um especial no streaming.
“Vai ter muita coisa, até um documentário. É um trabalho bonito. É uma série no Globoplay que junta a minha vida com muita coisa que narrei, conquistas do Brasil, dos clubes, F1, Ayrton Senna, tudo isso”, explicou.
Sobre sua extensa trajetória na emissora, o locutor analisou que, hoje, a Globo vive outro momento e, por isso, o canal não deve ter um “novo Galvão”.
“Eu dizer isso pode parecer uma pretensão, mas não vai ter outro Galvão. Não é uma questão de qualidade, mas sim de quantidade. Sabe por quê? Eu, durante muito tempo, fazia tudo. Eu fazia F1, Olimpíada, fazia os campeonatos, as decisões de títulos brasileiros e regionais, a seleção brasileira, a Copa. Isso não deve existir. Porque os direitos de transmissão estão mais pulverizados e nem é a ideia da Globo ter mais alguém assim”, declarou.
Planos para o futuro
Na mesma entrevista, Galvão Bueno diz que, após sua despedida, ele não deve retornar à TV. O locutor revelou que fez um acordo com a Globo para não assinar com nenhuma outra emissora. Com isso, Galvão deve mirar seus esforços no digital.
“Vou ter meu canal, tenho contatos com essas empresas de comunicação, essas novas. O projeto é grande, conversei com o João Pedro Paes Leme [Play9, sócio de Felipe Neto], que foi meu editor na Globo. Eu não pretendo ser um influencer, quero ser um drafter nesse mundo digital, nessas plataformas. Eu não consigo me imaginar aposentado”, contou.
Por fim, perguntado sobre quem seria o seu sucessor na Globo, Galvão Bueno fez a famosa “política da boa vizinhança”. “Tem dois companheiros que estão prontos há muito tempo, o Luis Roberto e o Cléber Machado. Tem um pessoal novo, o Gustavo Villani, o Everaldo Marques e os que estão na SporTV, o Milton Leite e o Luiz Carlos Júnior. A direção da casa é que vai dizer se vai ter um titular. Estamos muito bem servidos. Eu acho que o que vai ficar marcado é quem vai fazer o primeiro jogo da seleção após 18 de dezembro”, observou.
