Jorge Preá nasceu em São Paulo como Jorge Arnaldo Pereira e iniciou no futebol tardiamente, aos 23 anos, quando passou numa peneira do Pelotas. Artilheiro do Campeonato Gaúcho em 2007, chamou a atenção de Vanderlei Luxemburgo, que dirigia o Santos na época. No entanto, no final da temporada, ele acabou indo para o futebol coreano.

Em seguida, ele machucou o joelho direito e foi fazer tratamento no Palmeiras. O clube contratou justamente Luxemburgo em 2008 e o contrato saiu. No time alviverde, foi campeão paulista de 2008 ao lado de jogadores como Marcos, Valdivia, Diego Souza, Kléber Gladiador e Denílson, mas não conseguiu se firmar.

A partir daí, jogou em diversos clubes ao redor do Brasil, como Atlético Paranaense, Bragantino, Mogi-Mirim, ABC, Grêmio Barueri, Atlético Sorocaba, Operário de Ponta Grossa, Cascavel, Barretos, Sinop e Real Ariquemes.

“Trabalhar não é vergonha pra ninguém”

Depois de uma década de carreira no futebol, o atacante precisou abandonar os gramados. Com a esposa grávida, mais quatro filhos para criar e salários atrasados se acumulando, Preá foi trabalhar numa empresa contratada da Prefeitura de São Paulo responsável por fazer a limpeza dos bueiros da cidade.

“Não tenho melindre nenhum de estar trabalhando neste serviço, de estar atrás do pão de cada dia. Trabalhar não é vergonha para ninguém”, declarou em entrevista ao UOL em janeiro de 2019.

O jogador contou que não fez fortuna porque nunca participou das transações milionárias, como outros profissionais. Porém, conseguiu comprar um imóvel próprio para si e para a mãe.

“Com o primeiro contrato que fechei, comprei uma casa para minha mãe. Um apartamento, na real. Era prioridade. Antes de me aposentar, construí minha casa”.

Embora estivesse orgulhoso de seu novo trabalho, Preá admitiu que o padrão de vida havia caído muito, pois no último dos quatro anos de Palmeiras chegou a receber R$ 35 mil por mês. Na época da entrevista ao UOL, sua renda girava entre R$ 4 e R$ 5 mil. A variação existia porque ele era pago para jogar por times da várzea da Grande São Paulo aos finais de semana.

“O pagamento vai de R$ 200,00 até R$ 350,00 por jogo. Eu faço cerca de R$ 700,00 por final de semana”, contou.

Nova oportunidade

Logo após a entrevista, Preá teve uma oportunidade de jogar no Arapongas e abandonou o serviço para correr atrás da bola mais uma vez e disputar a terceira divisão do Campeonato Paranaense de 2019.

“Ele estava precisando, ele é meu amigo pessoal. Ele sofreu muito no futebol. Só de dívidas que clubes têm com ele é R$ 500 mil. Está nessa situação porque não pagaram ele”, disse o então diretor do Arapongas, Lucas de Moraes, responsável por sua contratação.

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